segunda-feira, 17 de agosto de 2015

De quem é a verdadeira culpa da crise hídrica paulista

A ideia de que a falta de chuva e o consumo doméstico são os grandes vilões da crise hídrica do estado de São Paulo é disseminada pela mídia, principalmente a televisiva e o governo desde o início do problema, em 2013. E a informação de quais são os fatores que mais influenciaram a escassez de água são negligenciadas pelas emissoras simplesmente por ideologias políticas.
No Brasil, há interesses econômicos no abastecimento de água e de saneamento básico, porque as empresas responsáveis que antes eram estatais perderam monopólio no mercado, foram privatizadas e separadas por municípios no final do século XX, algumas têm, inclusive, capital aberto e ações na bolsa de valores, como é o caso da Sabesp, Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo. O objetivo das empresas é lucrar e para isso, a água se torna mais um insumo econômico do que uma real necessidade básica para sobrevivência humana, por isso, as obras preventivas que deveriam ter sido feitas há mais de dez anos não foram executadas. Porém uso abusivo. em busca de lucro, não afeta só a distribuição de água para a população e ao meio ambiente, mas a própria economia, pois a água é fator indispensável em todo o funcionamento e manutenção da indústria e da agropecuária, que inclusive, são as maiores consumidoras de água no mundo. Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), 70% da água mundial é destinada à irrigação, no Brasil, esse índice chega a 72%.  As nascentes dos rios que abastecem Sistemas Cantareira em São Paulo e o Paraíba do Sul do Rio de Janeiro estão próximas de plantações e de criação de gado. Está última, também é grande consumidora de água, pois os animais necessitam de uma disponibilidade maior e limpa para beber e os pecuaristas também utilizam água de formas indiretas para beneficiar a criação, assim, é preciso, em média, de 15,5 mil litros para produzir um quilo de carne.
 Em São Paulo, 40% da água é usada pela indústria, segundo a DAEE (Departamento de Águas e Energias do Estado de São Paulo), por servir como um solvente natural, facilitar a refrigeração industrial e o transporte e ser essencial em diversos segmentos, como de papel e celulose, petróleo e derivados, automóveis, têxtil, mineração e siderurgia, indústria química e farmacêutica.
  Mesmo o Brasil tendo 12% da água doce superficial mundial, a distribuição hídrica é desigual nas regiões do país: o Norte dispõe de 69% da água e apenas 7% da população, em contraste estão o Sudeste e o Nordeste, que possuem 72% da população para apenas 10% da água nacional.
   É preciso sim que a população economize água em suas casas e tomem atitudes que ajudam o meio ambiente, mas também é preciso cobrar economia dos maiores consumidores, soluções práticas do governo e da empresas responsáveis para que o desenvolvimento econômico não se torne mais importante do que a qualidade vida humana  

Trecho do Sistema Cantareira seco (http://odia.ig.com.br/noticia/brasil/2014-08-11/chuva-em-sao-paulo-nao-resolve-falta-de-agua-no-cantareira.html)

                                                        Referências 
                                           O uso da água na agropecuária
                     Edição 63 - Exaustão da Água - Fevereiro/ Março de 2015

                                                  Uso da água na Indústria
       http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/11/1549655-industrias-consomem-cerca-de-40-   da-agua-de-sp-mas-fazem-pouco-em-reuso.shtml

  

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